
De 25 a 27 de março de 2025, retorna a Milão o “Pact4Future”, o fórum internacional organizado pela Universidade Bocconi e pelo Corriere della Sera que visa construir um futuro mais inclusivo e sustentável sob a insígnia de três palavras: “Pessoas, Propósito e Planeta”. Especialistas do mundo inteiro encontram-se com estudantes e a sociedade civil para abordar os desafios mais atuais, propondo boas práticas já existentes no mundo económico, empresarial e sem fins lucrativos, a fim de gerar impactos positivos para a sociedade e para o Planeta. Entre os palestrantes, esteve também a Irmã Alessandra Smerilli FMA, Secretária do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que participou numa reflexão sobre “Saúde global e desigualdades: como garantir cuidados para todos”.
A Irmã Smerilli introduziu o “cuidado” como conceito amplo, como algo de essencial que define o ser humano. Cuidar dos outros, de si próprio e da Casa Comum é a atitude que valoriza o ser mais profundo. As próprias relações, baseadas no cuidado recíproco, constituem a base do quotidiano. Para a construção de uma sociedade mais justa é necessário o reconhecimento do "cuidado" como valor fundamental e a valorização do "trabalho do cuidado" nas políticas sociais; esta dinâmica permitirá voltar a colocar no centro a pessoa e sua dignidade.
Cuidado e trabalho estão intimamente relacionados entre si; o trabalho é participação, é essencial para nos sentirmos reconhecidos e o mesmo se aplica ao cuidado. Contudo, enquanto que no âmbito laboral foram efetuados, ao longo dos anos, grandes progressos a nível social e económico, o mesmo não se pode dizer em relação ao cuidado. Com efeito, as atividades ligadas a este setor são frequentemente menos remuneradas. Torna-se assim importante alterar as regras sociais; trabalho e cuidado estão interligados e não será possível valorizar devidamente o cuidado sem restruturar a maneira como é entendido trabalho e o tempo que lhe é dedicado. É necessário recuperar o valor do cuidado para viver melhor e reduzir as desigualdades.
É, portanto, fundamental uma alteração cultural na abordagem que é feita ao cuidado: de ser considerado como uma valência secundária, deveria passar a ser valorizado como uma dimensão essencial. Apenas cuidando uns dos outros será possível construir rapidamente uma sociedade mais justa e solidária.